I gotta be myself ...

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Meu quarto, meu esboço


Perdi meu coração
Perdi minha coragem
Perdi minha palavra favorita

Para onde o amor vai ?
Se ele não conseguir encontrar um lar
Vai percorrendo e avançando os endereços
Extraviando meus desejos
Amor curto com residência na carne,
Onde a piedade usa cordões e as garrafas são as ladras
Qual disso tomou você de mim ?

Encaro eu mesmo
mas tenho tantos rascunhos
Como pintores que nunca acabam suas obras
e as vezes me estresso: 
Quero chamar nomes
Quero arremessar coisas
Quero rabiscar poesias
Quero queimar caricaturas
Quero quebrar meus cds
Quero estilhaçar silhuetas
Quero arrancar as cortinas
E pichar muros

Oh quarto ... esboço meu
Você já não é mais o mesmo .
Não tem horizonte
Parece caverna sem culto
Sem preces para me confortar
Sem luzes para me guiar
Sem seres vivos para meus olhos verem
Sem forças para profanar aos seus pés

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Interior


Percorro uma estrada já extinta,
Repuxo as lembranças atadas pelo vendaval,
Subo um penhasco intenso e íngreme,
Atualizo meus contatos reais,
Faço um balancete dos irreais,
Encontro meus sonhos diversificados,
Onipresentes são os meus sentimentos,
Inoportuno os meus desejos,
Pensamento etéreo, porém eventual,
Cotidiano simples, sem contrabalanço geral.
Ti arquitetuo como uma categoria barroca no inicio do neoclassicismo,
Estendo minhas mãos com sutileza,
Meu vocabulário é escasso e fraco,
Pressinto um labirinto extenso,
Dou voltas sem chegar a lugar algum,
Meu lugar é invisivel aos teus olhos,
Nado sem precisar de água,
Surropio sorrisos de alguém,
E faço me chorar compulsivamente,
Preciono minhas vontades,
Corrijo minhas palavras amargas,
Destilo meu veneno levemente doce,
Sofro porque sou banalmente vago.